Nova York, NY — Brenden Cuni, um supervisor do Departamento de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês), tem sido alvo de crescentes acusações de uso excessivo de força e envolvimento em prisões ilegais. Recentemente, seu nome surgiu em investigações relacionadas ao tiroteio que resultou na morte de Oscar Belgal, um imigrante dominicano, em março de 2024, no bairro de Marble Hill, em Nova York.
Histórico de acusações e prisões ilegais
Segundo relatos de veículos como a WIRED, Cuni tem sido o centro de polêmicas envolvendo práticas questionáveis do ICE. Em pelo menos três casos federais neste ano, juízes identificaram problemas graves em suas declarações e nos documentos de prisão. Um exemplo marcante ocorreu quando um juiz federal, Gary Brown, do Distrito Oriental de Nova York, determinou que Cuni havia realizado buscas em cinco bancos de dados sobre um homem do Bronx e não encontrou nenhuma informação que comprovasse sua situação migratória irregular. No entanto, ele assinou um mandado afirmando que as buscas haviam confirmado essa condição. Posteriormente, o ICE adicionou o homem a esses bancos de dados e realizou novas buscas, criando um registro falso que justificava a prisão.
Além disso, Cuni foi identificado em um vídeo viral que mostra agentes do ICE forçando uma mulher, que seria grávida, ao chão durante uma operação em Minneapolis, em dezembro de 2023. Essa situação levantou ainda mais questionamentos sobre o uso de força excessiva por parte dos agentes.
Involvimento em tiroteio e investigações recentes
O nome de Cuni ressurgiu recentemente após o tiroteio que resultou na morte de Oscar Belgal, um imigrante dominicano, no bairro de Marble Hill, em Nova York. Segundo investigações da mídia, como reportado pela Hindustan Times, Cuni estava envolvido em operações que resultaram em denúncias de violência contra imigrantes. A situação gerou protestos e questionamentos sobre a conduta dos agentes do ICE.
Em outro episódio, Cuni liderou uma equipe de três agentes do ICE em Minneapolis, onde tentaram prender uma mulher acusada de pichar um veículo do departamento. Durante a operação, um protester foi acusado de agredir Cuni após ele ser atingido por spray de pimenta. No entanto, as acusações contra o protester foram posteriormente arquivadas, com um juiz descrevendo as evidências como “fracas”.
Reações e consequências legais
As ações de Cuni têm gerado repercussões significativas. Um juiz federal nomeado durante a administração Trump chegou a criticar publicamente os agentes do ICE por prestarem falso testemunho para justificar prisões violentas, conforme reportado pelo CrimeWatch America. Além disso, investigações independentes, como as realizadas pelo Documented, revelaram que Cuni foi citado em múltiplas ações judiciais envolvendo denúncias de agressões físicas e uso de armas de choque contra imigrantes.
Em um contexto mais amplo, 93% das prisões realizadas pelo ICE em Nova York e New Jersey, segundo dados do The Guardian, têm sido questionadas por juízes federais, que têm condenado as práticas do departamento.
Com essas revelações, cresce a pressão sobre o ICE para que adote medidas mais transparentes e éticas em suas operações, além de garantir que seus agentes respondam por ações que violem os direitos humanos e legais.