Sony e UMG Processam Suno Pela Segunda Vez: Acusação de ‘Lavagem’ de Modelos de IA
As gigantes da música Universal Music Group (UMG) e Sony Music ingressaram com uma nova ação judicial contra a plataforma de geração de música por IA, Suno. Dessa vez, o alvo é o modelo mais recente da empresa, o Suno v6, que, segundo as labels, ainda infringe direitos autorais, mesmo após a empresa alegar ter sido treinado exclusivamente com dados licenciados.
O Que Dizem as Acusações?
No processo, que foi apresentado em um tribunal federal de Massachusetts, a UMG e a Sony alegam que o novo modelo da Suno foi treinado usando saídas de usuários dos modelos anteriores, que, por sua vez, foram acusados de treinamento ilegal com músicas não autorizadas extraídas de plataformas como o YouTube. As labels descrevem essa prática como ‘lavagem de modelos’, uma estratégia que, segundo elas, não elimina a infração, mas apenas transfere o valor da expressão artística das músicas protegidas por direitos autorais.
“Treinamento de um modelo ‘novo’ com as saídas de um modelo infringente não elimina a infração; ele apenas a lava, passando o valor da expressão dos autores para o produto copiado.”
Além disso, as labels afirmam que a Suno está contribuindo para a saturação do mercado de streaming com uma enxurrada de faixas geradas por IA, o que compete diretamente, desvaloriza e, em última instância, sufoca a música humana.
Detalhes do Novo Modelo e Reações
A Suno anunciou recentemente o lançamento do Suno v6, afirmando que este modelo foi desenvolvido usando dados licenciados de grandes gravadoras, como a Warner Music Group (WMG), BMG e Believe. No entanto, a UMG e a Sony argumentam que, mesmo com essa mudança, o novo modelo ainda depende indiretamente dos dados dos modelos anteriores, que foram treinados com músicas não licenciadas.
Embora a WMG tenha se juntado à Suno em um acordo de licenciamento, a UMG e a Sony não assinaram nenhum acordo com a plataforma. Isso as torna as principais exceções entre as grandes gravadoras.
Impacto no Mercado e Reações da Indústria
Esta nova ação judicial é mais um capítulo na batalha legal em torno da IA e dos direitos autorais na indústria musical. Enquanto a Suno já havia chegado a acordos com outras gravadoras, como a WMG, a UMG e a Sony continuam firmes em sua posição, alegando que a prática da plataforma ainda representa uma ameaça ao ecossistema musical.
Além disso, a ação judicial também levanta questões sobre a qualidade da música gerada por IA. Usuários da plataforma já têm expressado insatisfação com o som do novo modelo, que muitos descrevem como abafado, genérico e com falta de clareza, em comparação com os modelos anteriores.
As labels buscam danos estatutários e uma injunção para paralisar as operações da Suno, com potenciais prejuízos que poderiam ultrapassar US$ 9 bilhões se forem aplicadas as máximas penalidades previstas pela lei de direitos autorais dos EUA.
O Que Acontece Agora?
O caso segue em andamento, e o desfecho poderá ter implicações significativas para o futuro da IA na música. Enquanto isso, a Suno continua a enfrentar outras ações judiciais, incluindo uma ação coletiva movida por artistas independentes, que alegam que a plataforma utilizou suas músicas sem permissão para treinar seus modelos.
O mercado musical está em um momento de transformação, e esta disputa entre inovação tecnológica e proteção aos direitos autorais promete definir como a música será criada e consumida nos próximos anos.