O Google lançou um programa piloto para pagar sites que contribuem com conteúdo para respostas geradas por IA, como os AI Overviews e o chatbot Gemini. No entanto, os valores pagos têm sido tão baixos que muitos editores veem essa iniciativa como uma tentativa insatisfatória de resolver um problema estrutural: a dependência do Google em relação ao conteúdo de terceiros sem uma compensação justa.
Pagamentos Minúsculos e Desconfiança
Segundo relatórios da The Information e outras publicações especializadas, cerca de 100 editores foram selecionados para participar desse piloto. A promessa é que os sites recebam pagamentos sempre que seu conteúdo contribuir significativamente para as respostas geradas pela IA do Google. No entanto, os valores têm sido ridículos. Enquanto alguns editores ganharam mais de $1 milhão em um ano, a maioria dos participantes relata receitas que não chegam a 0,1% de sua receita publicitária.
Um exemplo citado é o de um site que recebeu entre $50 mil e $60 mil após participar recentemente do programa. Para muitos editores menores e médios, esses valores não compensam a perda de tráfego causada pelas respostas diretas da IA, que reduzem significativamente o número de cliques em seus links.
Editores Maiores Bojcotam a Iniciativa
Grandes publishers, como a Penske Media (dona da Rolling Stone), têm se recusado a participar do programa. Eles argumentam que os pagamentos são insuficientes e que o modelo atual não resolve o problema central: a perda de receita causada pela redução de tráfego para seus sites. Além disso, alguns editores questionam como os pagamentos são calculados, já que não há transparência sobre os critérios utilizados pelo Google.
Essa insatisfação tem levado a ações legais. Em setembro de 2025, editores independentes entraram com uma reclamação na Comissão Europeia contra os AI Overviews. Pouco depois, a Penske Media processou o Google alegando perda de tráfego e receita publicitária.
Desafios Legais e Futuro Incerto
Recentemente, um tribunal alemão decidiu que os AI Overviews são considerados conteúdo próprio do Google, e não resumos de material existente. Se essa interpretação for amplamente aceita, os editores poderão exigir taxas de licenciamento sempre que o Google usar seu conteúdo em respostas de IA. Isso representaria um risco financeiro significativo para o Google, que teria de rastrear e compensar cada fonte utilizada.
Por outro lado, o Google enfrenta um dilema matemático: como compensar de forma justa e escalável os milhões de sites que contribuem para suas respostas de IA? A complexidade desse desafio pode limitar a expansão do programa piloto.
Impacto no Ecossistema Digital
Enquanto o Google tenta equilibrar suas relações com os editores, o ecossistema digital continua a se transformar. A redução de tráfego para sites tradicionais, causada pelas respostas diretas da IA, tem levado muitos publishers a buscar alternativas, como plataformas de mídia social ou modelos de assinatura. Além disso, a concorrência de gigantes como Meta, TikTok e Amazon tem absorvido parte do tráfego que antes era dominado pelo Google.
Para os editores, a mensagem é clara: o modelo atual não é sustentável. Eles esperam que iniciativas como essa sejam apenas o primeiro passo em uma negociação mais ampla, onde o Google seja obrigado a compensar de forma justa o uso de seu conteúdo.
Enquanto isso, a batalha por um modelo de compensação justo entre tecnologia e mídia continua.