Polêmica cresce: AI e data centers são alvo de rejeição histórica em pesquisas e protestos nos EUA

Pesquisas recentes revelam que a construção de data centers para impulsionar a inteligência artificial (IA) está enfrentando uma rejeição sem precedentes nos Estados Unidos. Segundo dados do New York Times e da Siena University, divulgados em setembro de 2026, 61% dos eleitores consultados se opõem à construção desses centros de dados, enquanto apenas 14% manifestaram apoio firme. Essa tendência reflete um movimento mais amplo de resistência, que já levou governos locais e até mesmo legislaturas estaduais a adotarem moratórias ou restrições rigorosas.

Protestos e ações políticas marcam o cenário

O descontentamento não é apenas estatístico. Em todo o país, comunidades têm se mobilizado contra a instalação de data centers, alegando impactos ambientais, altos consumos de energia e água, além de preocupações com a concentração de poder nas mãos de grandes corporações tecnológicas. Em março de 2026, senadores como Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez introduziram o Artificial Intelligence Data Center Moratorium Act, uma proposta de lei que visa pausar a construção de novos centros de dados até que medidas de proteção ambiental, de privacidade e de direitos civis sejam implementadas.

Além disso, o estado de Nova York se tornou pioneiro ao aprovar, em junho de 2026, uma moratória de um ano para a construção de novos data centers. Essa decisão foi celebrada por organizações como a Food & Water Watch, que têm liderado campanhas contra a expansão desses empreendimentos. A aprovação da lei depende agora da sanção do governador Kathy Hochul.

Impacto nas eleições e divisões políticas

A rejeição aos data centers tem se tornado um tema central nas eleições de meio de mandato de 2026. Candidatos de ambos os partidos têm incorporado a questão em suas plataformas, aproveitando o descontentamento popular. Segundo uma pesquisa da Gallup, 7 em cada 10 americanos se opõem à construção de data centers em suas áreas, independentemente de sua orientação política. Esse cenário reflete uma preocupação transversal: a maioria dos eleitores enxerga os riscos associados à IA e aos data centers como maiores do que os benefícios.

Em Michigan, por exemplo, o candidato democrata William Lawrence transformou a oposição aos data centers em um ponto central de sua campanha, após os eleitores locais expressarem preocupações constantes sobre o assunto. Já em Ohio, a candidata democrata Amy Acton propôs uma moratória condicional para esses empreendimentos, criticando a falta de confiança nas promessas das grandes corporações tecnológicas.

Desafios operacionais e econômicos

Apesar da resistência popular, a demanda por data centers continua crescendo, impulsionada pelo avanço da IA. No entanto, relatórios recentes indicam que cerca de 50% dos data centers planejados para 2026 nos EUA estão enfrentando atrasos ou cancelamentos devido à falta de infraestrutura adequada, como energia suficiente para sustentar as operações.

De acordo com a Ipsos, apenas 27% dos americanos acreditam que os data centers contribuirão significativamente para o crescimento econômico e geração de empregos em suas comunidades. A maioria das preocupações gira em torno do consumo excessivo de energia e água, além dos impactos ambientais. Essa percepção negativa tem levado mais de 500 localidades nos EUA a restringir ou proibir a construção de novos centros de dados.

Em Maine, por exemplo, a legislatura estadual se tornou a primeira a proibir a construção de novos data centers, embora o governador tenha vetado a lei por falta de exceções para projetos específicos. Essa decisão reflete a complexidade do debate: enquanto alguns veem os data centers como uma ameaça ambiental e social, outros argumentam que eles podem trazer benefícios econômicos para as comunidades anfitriãs.

Perspectivas futuras: entre a inovação e a regulação

O cenário atual coloca a indústria tecnológica em um dilema: como equilibrar a necessidade de infraestrutura para a IA com as crescentes demandas por sustentabilidade e justiça social? Políticos e especialistas já discutem a possibilidade de regulamentações mais rígidas, incentivos para o uso de energias renováveis e transparência nos impactos ambientais dos data centers.

Enquanto isso, a população continua vigilante. A rejeição aos data centers não é apenas uma questão de Not In My Backyard (NIMBY), mas sim uma crítica mais ampla ao modelo de crescimento tecnológico atual. O futuro da IA e dos data centers nos EUA dependerá, cada vez mais, da capacidade de conciliar inovação com responsabilidade social e ambiental.

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