O Sucesso Viral e as Primeiras Suspeitas
A canção “Rubberz”, do rapper Fenix Flexin, membro do grupo Shoreline Mafia, se tornou um dos maiores sucessos do verão. Com um estilo que foge do tradicional hip-hop da Costa Oeste americana e um toque inspirado nos anos 80, a faixa conquistou o público e dominou as redes sociais. No entanto, o que parecia ser apenas mais um hit do verão logo se transformou em uma polêmica envolvendo o uso de inteligência artificial (IA) na sua produção.
Desde o seu lançamento, ouvintes e especialistas começaram a questionar a autenticidade da música. A principal dúvida era: “Rubberz” foi totalmente criada por IA? As suspeitas ganharam força devido ao som atípico para o artista e à qualidade quase “perfeita” da produção, levantando debates sobre os limites da criatividade humana e o uso de ferramentas tecnológicas na música.
A “Prova” que Abalou a Internet
A polêmica atingiu um novo patamar quando o produtor e artista Medasin publicou um vídeo no TikTok acusando Fenix Flexin e seu produtor, Purp On The Beat, de terem utilizado IA para criar “Rubberz”. Segundo Medasin, a música teria sido gerada por meio de um software chamado Treblo, anteriormente conhecido como Sonauto AI.
A principal evidência apresentada foi um trecho de uma música que Fenix Flexin havia postado antes do lançamento de “Rubberz”, onde o nome do arquivo ainda continha a palavra “Sonauto”. Curiosamente, o Sonauto AI havia sido renomeado para Treblo apenas dois dias antes do lançamento da música, o que levantou ainda mais suspeitas. Medasin questionou se havia algum tipo de acordo financeiro entre Fenix e a empresa responsável pelo software, embora nada tenha sido comprovado até o momento.
As Negativas e a Defesa de Fenix Flexin
Inicialmente, Fenix Flexin e Purp On The Beat evitaram comentar sobre as acusações. Quando finalmente se pronunciaram, negaram veementemente que “Rubberz” fosse uma criação 100% gerada por IA. Purp On The Beat chegou a argumentar que artistas deveriam usar IA como qualquer outra ferramenta, comparando-a até mesmo ao Auto-Tune. No entanto, ele não admitiu explicitamente que a música foi criada com o auxílio de inteligência artificial.
Fenix Flexin, por sua vez, manteve uma postura ambígua. Em entrevistas, ele afirmou que nunca mentiu sobre o uso de IA, mas também não confirmou as acusações. Em um post no Instagram, ele defendeu sua criação, alegando que a música é fruto de seu talento e criatividade, independentemente das ferramentas utilizadas. “Eu nunca disse que não usei IA”, afirmou, em uma tentativa de se esquivar das críticas.
Análises Técnicas e a Dificuldade de Comprovar o Uso de IA
Para tentar esclarecer a polêmica, diversos especialistas e criadores de conteúdo realizaram análises técnicas da música. Um exemplo é o YouTuber que conduziu um “deep dive” sobre “Rubberz”, utilizando ferramentas de detecção de IA para verificar a autenticidade da faixa. Segundo ele, embora alguns elementos da música — como a bateria — apresentem características de terem sido gerados por IA, outros aspectos, como a melodia e os vocais, parecem ter sido produzidos por humanos.
O YouTuber sugeriu que Fenix Flexin e Purp On The Beat podem ter utilizado a IA como ponto de partida, gerando uma base instrumental no Treblo ou Sonauto AI e, em seguida, editando e aprimorando os elementos manualmente. Essa prática, embora controversa, não é incomum no cenário musical atual, onde a linha entre o trabalho humano e o auxílio tecnológico está cada vez mais tênue.
O Debate Sobre o Uso de IA na Música
A polêmica envolvendo “Rubberz” reflete um debate maior que vem ganhando força na indústria musical: até que ponto o uso de IA é aceitável? Enquanto alguns artistas defendem que a tecnologia deve ser vista como uma ferramenta criativa, assim como o Auto-Tune ou os sintetizadores, outros argumentam que o uso excessivo de IA pode desvalorizar o trabalho humano e até mesmo configurar plágio, especialmente se a música gerada se baseia em estilos ou vozes de outros artistas.
O caso de Fenix Flexin também levanta questões sobre transparência. Muitos fãs argumentam que, se a música foi realmente criada com auxílio de IA, isso deveria ter sido divulgado desde o início. A falta de clareza pode gerar desconfiança e prejudicar a relação entre os artistas e seu público.
Conclusão: Importa se “Rubberz” Foi Feita por IA?
Apesar de todas as evidências e análises, uma pergunta permanece: será que alguém realmente se importa se “Rubberz” foi gerada por IA? A música se tornou um sucesso estrondoso, independentemente de sua origem, e muitos fãs continuam a curtir a faixa sem se preocupar com os detalhes de sua produção.
No entanto, o caso de Fenix Flexin serve como um marco importante para a indústria musical. Ele evidencia a necessidade de discussões mais profundas sobre ética, transparência e o futuro da criação artística em um mundo onde a tecnologia desempenha um papel cada vez mais central. Enquanto isso, “Rubberz” segue como a canção do verão — seja ela fruto de um algoritmo ou do talento humano.